história: cabedelo e sra das areias
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PRAIA DO CABEDELO

Em 1940 a praia do Cabedelo era, então, um lugar praticamente ermo. Apenas frequentada por um ou outro curioso. Nos meses de Verão, mesmo em Julho ou Agosto, quase só transitavam por ali algumas pessoas que demandando o lugar da Amorosa ou as casas mais próximas do mar na freguesia do Castelo do Neiva regressavam das suas lides em Viana, Conheci, ao tempo, um morador do lugar da Senhora das Areias que pacificamente guiava para junto do mar, no sitio do Cabedelo, um bando de patos que lá procuravam na ressaca o pastio de pequenos camarões e mariscos. Algumas habitações de pescadores, improvisadas com pedaços de madeira, dentro dos muros do velho cais e mais um edifício sobranceiro às dunas e a que chamavam “casino” mandado construir por José Gonçalves de Araújo “Mandarim” - proprietário que foi nesta freguesia - eis o que havia. Este edifício do “Casino”, sempre o conheci desabitado, exceptuando algumas semanas no tempo estival, em que servia de lugar de vilegiatura ao seu proprietário. Pelo ano de 1942, ali funcionou episodicamente um restaurante de triste memória, com o chamadouro de “Gaivota”, da gerência do agaloado eclesiástico que, depois de várias tranquibérnias, acabou por renegar. Em toda a mata apenas existia a Colónia Balnear Infantil, de fundação da Junta da Província do Minho. Na década de 1950-60, em terrenos adquiridos pela Câmara Municipal de Viana a diversos particulares, depois de organizado o respectivo plano de urbanização, principiou a construção de moradias que por lá se foram disseminando. É deste tempo a construção da Colónia Balnear da FNAT

As vias de acesso à praia do Cabedelo, que actualmente derivam da estrada nacional, foram construídas sobre o aterro dum charco cuja maior parte ainda existe, paralelo à referida via e em direcção ao Rio recebendo com este a água das marés. Antes, a estrada do Cabedelo entroncava directamente com a nacional, junto da padaria existente nesta data. Fazendo esquina, do lado esquerdo no caminho de Viana existiu um prédio que foi de António José Lopes, primeiro proprietário e fundador da dita padaria, hoje actualizada. O charco existente prolongava-se por detrás da casa do Lopes e vinha tocar a estrada da praia. Feito o aterro da mencionada parte do charco, saiu o labirinto de vias de acesso à praia. Em frente da citada casa existia um armazém que fora ainda da família Magalhães e, nas traseiras deste, um terreno que já hoje se vai tornando escasso e onde se situou a nomeada fábrica de louça de Viana.

SENHORA DAS AREIAS

Junto à Capela da Senhora das Areias, situa-se ainda a quinta que foi da família Magalhães Monteiro, actualmente da família Mourão. A norte da estrada, a contar dos antigos fornos da cal, alinhava-se uma escassa meia dúzia de casas com quintal debruçado sobre o rio. Em 1947, numa abertura praticada no alinhamento destas casas e sobre terreno de dois quintais, construiu-se um aglomerado de casas miseráveis a que por ironia deram o nome de “bairro azul” (de Changai?!). Junto ao Cruzeiro e em terreno adquirido à família Magalhães, naquela mesma data, construiu-se uma fábrica de farinhas de peixe cuja sociedade fundadora, em poucos anos foi à falência. A poente desta e na sequência desse mesmo terreno foi erigida em 1954 (?) a escola primária do Cais Novo.

(Transcrito de um apontamento sobre as transformações da freguesia, entre 1940 e 1968, da autoria do pároco de Darque, Delfim Sá)

SANTA MARIA DAS AREIAS

Darque, foi, em tempos remotos, um dos cinco lugares que constituíram a paróquia de Santa Maria das Areias.
Sabemos que, já no princípio do século XIII, a paróquia de Santa Maria das Areias existia, e contava vinte e seis casais, distribuídos por cinco lugares a saber:
O da Igreja, o do Rio, junto ao regato que vem de Anha e desemboca no mar, perto do Cabedelo, o do Cabedelo na foz do Lima, Darque Maior, na corrente do Faro e Darque Menor. As Inquirições de 1220, falam de Santa Maria das Areias como uma paróquia antiga e vem mencionada no “Catálogo de Todas-as-Igrejas”-documento do século XIII.
A tradição afirma haver, no local das Areias, uma sepultura cristã, com data de 336, oq eu parece verosímil.
Das Inquirições de 1220 é-nos dado concluir que os habitantes ou vizinhos de Santa Mário das Areias se entregavam principalmente à faina da pesca e alguns à agricultura.
Em Santa Maria das Areias havia dez casais de ordens, assim distribuídos: dois pertencentes à igreja paroquial, quatro ao mosteiro de S. Romão do Neiva, três à Ordem do Hospital e um ao convento de Vimieiro.
Da Coroa eram dezasseis reguengos e ainda o Paço de Darque, que fora conde D. Mónio e mais tarde Soeiro Acha e, antes, residência senhorial da vila romana.
Os dezasseis reguengos de Santa Maria das Areias pagavam ao Rei, 21 morabitinos, 20 congros, 1 morabitino de linha, 2 carneiros, e cada um deles uma galinha com 20 ovos e mais uma terça de pão que houvessem de suas colheitas. Do casal que foi do Conde D. Mónio, pagavam 10 moios de pão e por direituras 5 capões, 100 ovos e 2 lampreias.
(Texto extraído de edições do jornal “Mensagem” de 1952)
Ainda no século XVI existiu esta Paróquia, mas logo um abaixamento da costa e a invasão de areias obrigaram os moradores a deslocarem-se , abandonando as suas casas e a mesma igreja paroquial, que passou a ser durante alguns anos a de Santiago de Anha. Esta invasão de areias deve ter-se processado lentamente, e justificava, de muito antes, o nome dado à freguesia; mas tendo-se agravado de súbito, motivou o abandono de todos os lugares à excepção de Darque Menor. Assim se exprimem os autores e há memória das areias terem ocupado, ainda todo o lugar de Darque Maior, não permitindo tanto neste como nos outros, qualquer tentativa de cultivo.

MARACHÃO DE SÃO LOURENÇO

O Marachão de São Lourenço começou a ser pensado a partir de 1549, mas só depois de 8-3-1561 se construiu, altura em que chegou a Viana a provisão real há muito reclamada quer por Rui Sá, Comendador da Ordem de Cristo, quer por Baltasar Calheiros, escrivão da Câmara que foram incumbidos da missão de “requerer o negocio do ryo”, o primeiro em Junho e o segundo em Novembro de 1549 que invocaram “pella muyta necessidade q nesta villa tem de corrigir o ryo e a barra” (M.A.F.Moreira in “O Porto de Viana do Castelo na Época dos Descobrimentos”)

PONTE DE MADEIRACRONOLOGIA HISTÓRICA

- 4/2/1807 – Em Aviso Régio é ordenada à Câmara a construção de uma ponte de madeira, desde o cais de S, Bento, em Viana, até à capelinha de S. Lourenço.
- 1817 – Inicia-se a construção da ponte de madeira.
- 1819 – Inauguração da ponte de madeira, que veio substituir a antiga “barca do concelho”.
- 8/5/1852 – Recepção, junto à ponte de madeira, à Rainha D. Maria II, que veio a Viana.
- 11/3/1864 – Uma diligência, com cavalos a correr à desfilada, vai contra as guardas da ponte de madeira, que se partiram, ocasionando a caída da diligência à água, morrendo todos os seus tripulantes (4 pessoas).
19/2/1878 – Um temporal fez cair a ponte de madeira, ficando inutilizada a passagem para Viana.
Fevereito de 1880 – Demolição da ponte de madeira.
(Extraido de www.terravista.pt)

CAIS NOVO

O nome Cais Novo, povoação da vila de Darque, provém de um cais que foi construído por volta de 1643, por proposta da edilidade que para o efeito cobrava desde 1631 finta nos concelhos de Barcelos, Braga e Guimarães destinada à construção do Cais de S. Lourenço. Daí este cais se justificar ser construído na margem esquerda do Rio Lima “…aonde se avia de principiar a obra do cais de S. Lourenço e disseram que a obra viesse correndo do principio donde se recomeçou o cais até San Lourenço e que se fizesse hum desembarcadouro para as pessoas desembarcarem em comodidade (M.A.F.Moreira in “O porto de Viana do Castelo na época dos descobrimentos”).